História

O Grêmio Recreativo Escola de Samba NENÊ DE VILA MATILDE foi fundado por um grupo de sambistas que na década de 40 faziam rodas de samba e tiririca no Largo do Peixe, no bairro da Vila Matilde, Zona Leste de São Paulo, eles resolveram fundar uma escola de samba.

No dia 1º de janeiro de 1949, ao tentar registrar e assinar a ata de fundação, as pessoas que viriam a ser os grandes baluartes da agremiação perceberam que tinham esquecido do mais importante: o nome da escola. Estavam todos muito nervosos com a situação, surgiram algumas ideias, como Unidos do Marapés e Primeiro de Janeiro, mas nenhuma delas agradou a todos, até que o homem que trabalhava no cartório perguntou quem era aquele que enquanto todos discutiam o nome da escola tocava o seu pandeiro tranquilamente. Responderam-lhe que era o Nenê. O funcionário então sugeriu que o nome da escola fosse Nenê, o que agradou a todos. A Nenê já nasceu como escola de samba, ao contrário de algumas das outras grandes escolas de São Paulo, como Camisa e Vai-Vai, que foram fundadas como cordões, ou Rosas, Mocidade e Gaviões, que eram blocos.

A escola só passou a competir com as grandes da época no carnaval de 1953. A Nenê já mostrou que vinha para acabar com o monopólio da grande escola da época, a Lavapés. Escola mais antiga da cidade, fundada em 1931, a Lavapés foi a grande campeã do início dos carnavais de São Paulo. Como demonstração de sua força, a Nenê já ganhou o seu primeiro título em 1956 quando trouxe para a avenida o primeiro samba-enredo da história do carnaval de São Paulo, Casa Grande e Senzala, e logo depois o seu primeiro tricampeonato, em 1958, 1959 e 1960. Na década de 1960 a Nenê foi a grande campeã, em 1960, 1963, 1965, 1968, 1969 e 1970 (seu segundo tricampeonato).

Em 1986 a escola viveu um dos seus maiores momentos com o enredo Rabo do Foguete, desfile aclamado como o campeão da noite, ao lado de Camisa Verde e Branco, Rosas de Ouro e Vai-Vai, mas que obteve apenas o terceiro lugar. Durante os desfiles de 1987, ano de grandes sambas, a Vila foi a última a se apresentar, com um estilo irreverente de desfilar, a escola saiu como uma as favoritas, apresentando o melhor conjunto de fantasias, mais alegorias pequenas para os padrões já da época, e sucumbiu num 5º lugar muito protestado.

No ano de 1988, centenário da abolição da escravatura, a Nenê decidiu não homenagear a comunidade negra, sabendo que a maioria das escolas viria com um tema relacionado. Ao invés disso, a diretoria preferiu falar sobre a Zona Leste de São Paulo, segundo a visão de Paulistinha, um de seus grandes baluartes. No enredo, foi abordada, sob um ponto de vista extremamente positivo, a condição de ser um morador de um lugar tão abandonado. Também foram citados o Largo do Peixe, a fundação da escola, o trem que leva os trabalhadores de Guaianazes à Estação Roosevelt e o Corinthians. Devido à falta de destaques sobre os carros, a escola perdeu quatro pontos que a impediram de conquistar o título, porém mesmo assim ficou marcado com um dos maiores desfiles do carnaval de São Paulo.

Em 1989, cantando seus quarenta anos de história, e apostando na inspiração afro, característica marcante da escola, a Nenê levantou a Tiradentes.

Em 1990 a escola viveu seu pior momento, ao desfilar sem cinco carros, após uma chuva que devastou São Paulo. Devido a isso, a Nenê terminou a disputa em oitavo lugar.

Prometendo a redenção, a escola contratou Tito Arantes, ficando novamente em oitavo em 1991. No ano seguinte, com Oswaldinho no posto de carnavalesco, a Nenê deu um salto em qualidade das fantasias, teve o samba aclamado pelo povo, levou o enredo Tudo mentira… Será que é?.

Em 1993, com Marcia Inayá e Armando da Mangueira como intérpretes, garantiu um quarto lugar, muito festejado pela comunidade com um enredo sobre a saúde. No ano seguinte, a Nenê investiu na revelação Pedrinho Pinotti, além de trazer Dom Marcos para intérprete.

No ano de 1995, com um samba que nasceu da junção de três sambas finalistas, assim com um de seus melhores desfiles, um dos refrões mais cantados da história do carnaval de São Paulo, a Nenê levantou a arquibancada. Só ficando atrás do samba da Gaviões da Fiel, o da Nenê foi o mais cantado daquele ano. E, após uma apuração disputadíssima pelo vice campeonato, a Nenê acabou na sexta colocação.

Para o ano de 1996 a agremiação novamente investiu pesado, trazendo do Rio de Janeiro o carnavalesco Joãozinho Trinta. Como resultado a escola fez 282 pontos, novamente ficando com o sexto lugar.

No ano seguinte Seu Nenê deixou a presidência para seu filho Betinho, que assumiu o cargo prometendo modernizar, trazendo de volta Tito Arantes, que desenvolveu aquele que é considerado um dos maiores enredos negros da história – Narciso Negro. Com uma escola luxuosa a Nenê foi aclamada a campeã da noite.

A escola garantiu um vice-campeonato em 1998 com um enredo sobre a Estação Primeira de Mangueira, a melhor posição desde 1985. Em 1999, ano do seu cinquentenário, a escola foi muito bem avaliada pelo público e pela crítica, ganhou o Troféu Nota 10 (equivalente ao Estandarte de Ouro no carnaval carioca) de melhor escola, e, com um samba e bateria contagiante, foi apontada como favorita pelo povo e pela crítica.

Em 2000, no carnaval dos 500 anos do Brasil, a Nenê novamente foi aclamada pelo público do Anhembi e ganhou novamente o Troféu Nota 10 de melhor escola, mas acabou no terceiro lugar de um dos carnavais mais disputados da história.

Já em 2001 novamente a escola passou aclamadíssima pelas arquibancadas, novamente com um enredo sobre a negritude, liderando a apuração até o quesito comissão de frente e consagrou-se a Campeã daquele ano, com o enredo “ Voei, voei, na Vila aportei onde me deram coroa de rei”. Após anos chegando perto, com uma das trilogias mais aclamadas da história do carnaval paulistano, finalmente a Nenê conquistava um título que não vinha havia 14 anos, título este que foi dividido com a Vai-Vai. No entanto, caso houvesse o desempate, ela seria considerada campeã sozinha, já que conquistou apenas uma nota 9,5 contra quatro notas 9,5 da Vai-Vai, incluindo uma no critério de desempate — mas naquele ano a maior e a menor notas eram eliminadas.

Em 2002, com um samba de forte crítica social e que fazia referências ao MST, a Nenê foi a última a desfilar na primeira noite de desfile. Lecy Brandão deu o grito de guerra na concentração, junto com os puxadores, sendo este o último ano em que ela desfilou no carnaval paulistano, antes de se tornar comentarista do desfile. Apontada como uma das favoritas, a Nenê conquistou sua vaga no desfile das campeãs com um quarto lugar.

No ano de 2003, a Nenê levou para o Anhembi um enredo sobre Ziraldo. Também muito aplaudida pelo público, a escola ficou novamente com o quarto lugar, o que se repetiria no carnaval de 2004. Nesse ano a Nenê encerrou os desfiles do grupo especial dos 450 anos de São Paulo aos gritos de “é campeã”. A escola falou sobre a Bienal de Arte de São Paulo e marcou mais esse desfile na sua história. Segundo sambistas de várias outras agremiações e críticos, esse desfile merecia um vice-campeonato.

Já em 2005, a escola falou sobre seu símbolo maior, a águia, herdada de sua madrinha Portela. A escola apresentou um bom samba, que animou as arquibancadas como sempre, foi bem esteticamente e a bateria foi maravilhosa. Baby, o puxador da Nenê naquele ano, ganhou o Troféu Nota 10 de melhor intérprete. Mas surpreendentemente, a Nenê só ficou no nono lugar.

Em 2006 a escola vinha com um dos melhores sambas do ano, novamente com inspirações afro, e a bateria mostrou porque é citada com uma das melhores de São Paulo, mas uma quebra sequencial de quatro carros da agremiação prejudicou o desfile, levando à sua pior colocação até o descenso de três anos depois, um décimo primeiro lugar, chegando a estar entre as rebaixadas durante uma boa parte da apuração.

Buscando a reabilitação a Nenê chegou ao carnaval de 2007 apostando na tradição, com toda a escola vestida predominantemente de azul e branco, com a ala das passistas atrás da bateria, com carros pequenos para os padrões de hoje, mas bem acabados, e com um samba alegre. Além de um desfile bom, a escola levantou a arquibancada que esperou até o amanhecer para vê-la e ficou no sétimo lugar.

Em 2008, a Nenê apostou num enredo sobre o Brasil, cantando no sambódromo Câmara Cascudo e o folclore brasileiro. Pela primeira vez desde a fundação, Seu Nenê, com problemas de saúde, não desfilou, e como numa homenagem a seu patriarca a comunidade da Vila Matilde cantou o samba com garra, evoluiu com leveza, com a ajuda do amanhecer e mais um show da bateria a Nenê foi citada como uma das favoritas ao título, superando de longe o desfile anterior, mas ficou somente no oitavo lugar. Se as regras do ano anterior ainda estivessem em vigência, a Nenê terminaria o carnaval 2008 num sexto lugar.

Para 2009, a escola apostou mais uma vez na sua própria história. Nesse ano, a Nenê cantou o seu jubileu de diamante, os 60 anos de uma das mais tradicionais escola de samba do Brasil. Com um samba escolhido pela comunidade, a Nenê veio com uma nova comissão de carnaval e esperava voltar a estar no topo do carnaval de São Paulo. Ao contrário das suas pretensões, acabou rebaixada e, pela primeira vez em sua história, irá participar do grupo de acesso no ano de 2010. Até hoje, o carnaval deste ano é apontado pelos críticos e pelas co-irmãs o desfile mais emocionante da historia da Nenê, com componentes garantindo a tradição do samba no pé da escola, bate e enaltecendo veementemente seu Pavilhão.

Para 2010 na primeira vez que desfilar no Grupo de acesso de São Paulo, a Nenê traz como enredo A água nossa de cada dia. A pureza da Águia é a essência de nossas vidas e consagra-se campeã com os gritou fervorosos de “A Nene voltou”!!!

No ano de 2011, com um enredo contando a influência do sal em nossas vidas, a Nenê foi novamente rebaixada ao Grupo de acesso.

Em 2012, com uma forte reformulação interna e política, a Escola presidida por Rinaldo José de Andrade – Mantega . Com um enredo emblemático sobre Xica da Silva, a Nenê retorna ao Grupo Especial.

No ano de 2013, visivelmente mais organizada e profissionalizada, aliando as raízes da tradição Matildense ao novo modelo de gestão das escolas de samba do Brasil.

Em 2014, a Águia Guerreira defendeu o enredo: Paixões Proibidas e Outros Amores” e em 2015, foi para o Sambódromo seguindo seus moldes antigos de exaltação ao negro, com o enredo Moçambique – a lendária terra do Baobá sagrado, e foi ovacionada pelos sambistas e pelo público como uma das favoritas ao título.

Para 2016, a nenê se reinventou e transformou a Passarela do Samba em um grande teatro, com o enredo Nenê apresenta seu musical: Rainha Raia nas asas do Carnaval!!!, trazendo os grandes musicais brasileiros e a Diva Claudia Raia, como principais homenageados.

Em 2017, um atraso polêmico antecedeu o desfile da escola, o motivo seria o vazamento de água do último carro alegórico da escola anterior, a GRCSES Vai-Vai, que acabou por molhar toda a pista do Sambódromo, o presidente da escola optou por esperar que funcionários da Liga das Escolas de Samba de São Paulo em conjunto com funcionários da Prefeitura da Cidade de São Paulo secassem a pista. Essa operação durou quase uma hora, fazendo com que a escola iniciasse seu desfile com o dia já amanhecendo, sendo assim grande parte do desfile da Nenê de Vila Matilde foi comprometido pela claridade, também apresentando algumas falhas, principalmente nos quesitos Fantasia e Enredo, o que a fez amargar a última posição no carnaval de São Paulo sendo despromovida para o grupo de acesso em 2018.